segunda-feira, 4 de junho de 2012

Corpo dormente

São seis letras. Apenas seis. Uma palavra pequena. Mas ainda assim capaz de me deixar num estado de completa dormência. Parece que ando meia adormecida há mais de um mês, incapaz de me livrar desta sensação de angústia que, mesmo agora que a tempestade começa a afastar-se, me continua a ensombrar.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

As vantagens de uma audição selectiva



Aprendi a fazê-lo há alguns anos, mas nada melhor do que a prática para chegar à perfeição. Falo da capacidade que, posso dizê-lo com orgulho, me torna diferente da maioria (pelo menos da maioria dos que me rodeiam). Foi tudo uma questão de sobrevivência: ou aprendia a ignorar os sons que, cada vez mais elevados, me interrompiam os pensamentos e me cortavam a concentração, ou enlouquecia. Preferi a primeira, já que tentar falar ao telefone debaixo da mesa, para conseguir estar atenta ao que dizia o interlocutor, era coisa que não dava mesmo jeito nenhum. Por isso, habituei-me a ignorar o barulho ambiente. Hoje nem uma televisão em altos berros ao meu lado, ou conversas cruzadas em meu redor ou até mesmo um alarme que não pára são capazes de me interromper a concentração. Ok, é um facto que isto também tem os seus contras. São frequentes os sustos que apanho (agradeço à força do meu coração, que apesar de bater mais depressa – e às vezes descompassado – ainda não parou), assim como é também comum andar a leste do paraíso. Ou seja, não saber das novidades ou boatos mais recentes. É um preço que estou disposta a pagar por ser especial. Sim, porque para aqueles que já pensam em chamar-me de convencida, isto é mesmo uma proeza. Tanto que até os investigadores decidiram debruçar-se sobre esta capacidade de alguns (como eu), que têm audição selectiva. Um estudo publicada na revista Nature.

Espinha ou Espanha?

Hoje reparei que Espanha e espinha só diferem numa letra. Mas com estas coisas da crise e das finanças, podem ambas ficar-nos atravessadas.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Pipocas até cair

Estou cansada de comer pipocas. Estou farta. Não quero mais. Já nem as posso ver. Mas como se tivesse vontade própria, a minha mão continua a mergulhar na tigela laranja e a levar à boca duas ou mais pipocas de cada vez. Alguém devia estudar este fenómeno: porque é que há coisas que claramente nos cansam, mas das quais não conseguimos abdicar?

quinta-feira, 8 de março de 2012

A vantagem de comer macacos

“... o doutor Friedrich Bischinger, especialista em pulmões que vive em Innsbruck, na Áustria afirma que meter o dedo no nariz é realmente benéfico, porque ajuda a limpar partículas indesejáveis que não conseguiríamos eliminar ao assoarmo-nos com o lenço. Bischinger até acha boa ideia englor a «recolha» do nariz, por considerar que este processo fortalece o sistema imunológico, porque o expõe a invasores que ele precisa de conhecer melhor (para o caso de eles aparecerem em massa algum dia).”

In Os Segredos das Pessoas que nunca ficam Doentes

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Nevar ou não nevar, essa é a questão

De que adianta estar tanto frio, suportar as autênticas chicotadas do vento gelado, olhar para as temperaturas e vê-las abaixo de zero, se depois a Serra da Estrela está vestida de verde? Neve, eu quero neve. Vá lá, só um bocadinho.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Eu quero greve todos os dias

Os jornais e televisão andavam a anunciá-lo há vários dias: os transportes hoje iam estar parados. As greves não costumam afectar-me, até porque o carro era o meu transporte de eleição. Mas agora, utente que sou dos transportes públicos, juntei a minha voz ao coro dos que compreendem, mas não acreditam que o raio dos transportes vai parar outra vez.
Já estava a imaginar o cenário: um comboio por hora, apinhado até mais não, dando um novo significado à expressão "sardinha em lata"; a inevitabilidade de ter o nariz encostado a um qualquer sovaco, a incapacidade de fugir aos germes alheios. Ou então, horas de espera na estação apenas para ter que rumar a casa, sem alternativa que não ver a greve através da TV.
Foi com este espírito que saí de casa nesta manhã fria de Fevereiro, mentalizada para o pior. Mas em vez disso, deparei-me com um comboio cuja pontualidade rivalizaria, sem qualquer vergonha, com a dos britânicos, quase totalmente vazio, em plena hora de ponta. Depois, uma paragem de autocarro vazia, tal como o transporte que por ela passou, igualmente pontual.
É caso para dizer: que pena que todos os dias não possam ser de greve!