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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Outono perdido

Está calor. Muito calor. E eu, amante do frio, espero todos os dias pela brisa fresca que arranca as folhas castanhas e carrega o cheiro da lenha acabada de queimar. Mas em vez disso, em vez dos pratos fartos, que aquecem o corpo e aconchegam a alma, dou por mim a olhar para os limões e a imaginá-los transformados em limonada, num copo alto e gelado, única forma de afastar a sede que o calor impõe. E se a sopa de feijão teve que regressar à lista dos desejos, o Bolo de Maçã, este ninguém me tira.  

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Perdão, arroz de polvo

Insultei-o sem dó nem piedade. Apontei-lhe o dedo acusatório, sem provas a não ser a certeza interior que me garantia que a culpa tinha sido dele. E apenas dele. Tudo para depois descobrir que a causa de todos os nosso males era outra. Por isso, a penitência é exigida e faz-se acompanhar pelo sincero pedido de desculpas ao arroz de polvo do Rocha. É verdade que os muitos vómitos, que as dores intensas, que iam da ponta dos cabelos à ponta dos dedos, que a febre que quase me levou ao delírio pareciam sintomas de uma intoxicação alimentar. E o arroz do almoço de domingo, com os seus pedaços de polvo, perfumado com os coentros picados, parecia o único suspeito provável. Pois que o médico repôs a verdade. A culpa foi de uma virose, que se espalhou como lume em erva seca, atingindo todos. As minhas desculpas, arroz de polvo. Mas mesmo assim, a verdade é que tão cedo não vais ter lugar em nenhum dos pratos cá de casa.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Adeus, caderno manhoso

Quando o vi, quis logo levá-lo para casa. A imensa fila de gente que, nesse dia, decidiu fazer compras levou-me a adiar a compra. Só de pensar que já o podia ter nas mãos, que poderia estar, neste momento, a enchê-lo com as mais deliciosas receitas.... O que é certo é que o caderno manhoso, usado até agora, tem os dias contados. E a promessa foi feita... desta semana não passa!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Obrigada, amigos Yuan, Qiu, Zhao, Huang, Zhang e Shu

Não percebo nada de fruta ou legumes. Até tenho medo de os comprar... e quando o faço, ou estão maduros de mais ou deviam era ainda estar pendurados nas árvores. Por isso, aplaudo a iniciativa dos srs. Sisi Yuan, Yiwu Qiu, Lei Zhao, Qiulei Huang, Liju Zhang e Weihang Shu. Para quem não conhece (imperdoável!), este grupinho de chinocas inventou um código de barras que acompanha o desaparecimento do viço nos alimentos. Ou seja, à medida que os legumes e frutas vão perdendo o seu fulgor, o código vai ficando cada vez menos perceptível, até deixar de existir por completo. Para quando esta maravilha nos supermercados??




quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Em modo natalício


Em modo natalício... Hoje é dia de atacar os tachos e panelas. E porque o engenho no que às artes culinárias diz respeito não abunda para os meus lados, sorte é mesmo aquilo que eu preciso. Como é que se deseja sorte a quem vai cozinhar? Se aos actores se deseja que partam uma perna, será que aqui a ideia é: parte um ovo?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Plástico = gourmet




Quem é que nunca se rendeu à comida de plástico, como aquela que enche as máquinas estacionadas nos locais de trabalho, que atire a primeira pedra. Mas para os muitos que não têm outra alternativa senão os pacotinhos de batatas fritas, os chocolatinhos ou as sandes com recheio duvidoso, fica a ideia de que é possível transformar tudo isto em refeições gourmet. Pelo menos é o que garante Emilie Blatz, a designer responsável por transformações que mais parecem milagres. É verdade que, por cá, ainda não temos muitas das opções que existem nas máquinas internacionais, mas pelo menos fica-se com a certeza: ainda há esperança. Para ver em: http://www.core77.com/

domingo, 1 de novembro de 2009

Fome

Nunca fui grande coisa para comer. Com a honrosa excepção dos doces, que comia como se não houvesse um amanhã, nunca apreciei verdadeiramente um bom prato e nem percebia a que é que as pessoas se referiam quando elogiavam uma refeição de peixe ou desfiavam um rol de adjectivos quando se referiam a um naco de carne. Sempre fui assim, desde pequenina. Por isso é que não consigo explicar o meu súbito interesse por comida. Parece que ando sempre com fome. Tenho fome quando me levanto, quando vejo comida na televisão, quando folheio uma revista e me deparo com uma mesa farta; tenho fome quando acabei de comer, quando na rua cheira a comida, quando me lembro da comida da minha mãe... Mas porque raio é que ando com tanta fome?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

E o vencedor é: o 100%

Confesso que, cada vez que a dúvida me assalta no momento de escolher uma bebida, não penso qual será a mais indicada, saudável e menos calórica. E acrescento ainda nesta minha confissão que nunca me tinha questionado sobre qual seria o melhor: se o sumo néctar ou o 100%. Se tivesse pensado um pouco no assunto acredito que a minha escolha tivesse recaído sobre os primeiros, convicta que estaria que seriam os mais próximos de um sumo natural. Ao que parece, nada podia estar mais longe da verdade. Ou seja, e isto segundo os especialistas na matéria, os néctares são bebidas produzidas a partir do sumo ou polpa da fruta. Até aqui tudo bem. O pior vem quando se pensa na restante composição: água e açúcares, podendo ainda ser incluído o mel. Ora já os 100% são produzidos apenas com o sumo ou polpa das frutinhas, sem adição de açúcar ou adoçantes. Por isso, a escolha parece ser uma e só uma: os 100%

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Salvem o Torrão de Alicante

Ainda no reino da doçura, parece que a crise chegou ao Torrão de Alicante. Segundo a agência EFE, o mercado internacional já não está a comprar torrão. Como é possível? O que se passa com este mundo? Como é possível resistir ao torrão, o mesmo que povoa as memórias - a mais doces - da minha infância (nunca me esqueço das idas a Espanha, onde a compra do torrão era, mais do que uma tradição, uma obrigação)? Acho que se devia lançar uma petição para evitar o fim desta iguaria. Eu digo: salvem o Torrão!

A fraude do leite com chocolate

Hoje senti-me defraudada. E a culpa foi de um pacote de leite com chocolate. Ou melhor dizendo, com a falta dele. As elevadas expectativas criadas à volta daquele líquido - já me imaginava a saborear o sabor do chocolate, a deliciar-me com o doce -, saíram completamente goradas. É que, ao sorver um gole, o primeiro, daquele pacote todo bonitinho, percebi que sabia a tudo, menos a chocolate. O choque foi de tal forma, que tive que ir a correr comer uma bolacha recheada de chocolate - este sim, o verdadeiro. Leite com chocolate que é leite com chocolate deve saber a... chocolate.