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terça-feira, 13 de dezembro de 2011
O regresso
Depois de cinco anos com Lisboa no horizonte, em que a capital nada mais foi do que motivo de (raras) visitas, eis-me de volta e a tempo inteiro. Um regresso forçado e quase à força, sem tempo para grandes contemplações. E embora nada pareça ter mudado, é tudo diferente. O percurso, que era há cinco anos feito de forma automática, hoje custa um pouco mais. Pesam-me as pernas e falta-me a vontade para o subir e descer escadas constantes, para a correria, que deixo para os mais ansiosos, para os empurrões, de que ainda não sou exímia a desviar-me. No metro, os passageiros parecem os mesmos, as conversas não mudam muito - o tempo que vai fazer, a crise que não passa - e até os profissionais do peditório permanecem iguais (com um novo corte de cabelo ou pintura de unhas apenas a marcar a diferença). Mas ainda assim é tudo diferente. Ou pelo menos eu sou diferente. Resta-me adaptar à nova (ou velha) realidade, porque como diz toda a gente, é mesmo tudo uma questão de hábito. Ou vontade...
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Que pena... para ti
Foi duro. Quatro semanas depois da despedida, eis-me de regresso à mesma secretária empoeirada, junto ao mesmo computador que não conhece o significado da palavra rapidez, a lutar com a mesma impressora que insiste em engolir o papel... E é duro quando, na hora de sair de casa, o G., ainda com três anos, mas já a abraçar a autoridade dos quatro, me pergunta:
- "Onde vais?"
- "Trabalhar", respondo, crente de que a pergunta é reveladora de umas saudades incontroláveis.
- "Dois dias seguidos?", volta ele.
- "Sim", digo. "Sabes, eu trabalho todos os dias."
- "Mas não trabalhaste durante muito tempo", continua ele, sem vontade de se dar por vencido.
- "Pois... a isso chamam-se férias. E já acabaram."
O olhar pensativo dá lugar a um encolher de ombros. E depois, a resposta, que põe um ponto final na conversa.
"Que pena... para ti!"
- "Onde vais?"
- "Trabalhar", respondo, crente de que a pergunta é reveladora de umas saudades incontroláveis.
- "Dois dias seguidos?", volta ele.
- "Sim", digo. "Sabes, eu trabalho todos os dias."
- "Mas não trabalhaste durante muito tempo", continua ele, sem vontade de se dar por vencido.
- "Pois... a isso chamam-se férias. E já acabaram."
O olhar pensativo dá lugar a um encolher de ombros. E depois, a resposta, que põe um ponto final na conversa.
"Que pena... para ti!"
quinta-feira, 28 de julho de 2011
The dog days are over
A poucas horas de entrar de férias dou por mim a fazer um balanço de mais uma jornada de trabalho. E curiosamente descubro que, ao contrário de anos anteriores, aguentava mais uns dias - ou quiçá semanas - antes de me despedir da rotina das 11h00 às 19h00, da irritação causada por um computador que insiste em ter vontade própria, dos textos com números, da crise tornada tema recorrente, dos assuntos sem interesse, das pessoas sem interesse... enfim.
O que pode, vistas bem as coisas, significar que a minha capacidade de abstracção atingiu um novo nível, de tal forma que a maior parte das coisas que irritam me têm mesmo passado ao lado, ou então que, pura simplesmente, me tornei mais tolerante, menos exigente - comigo e com os outros -, mais prática. Que deixei de pensar mil vezes, de tentar encontrar significados escondidos em meias palavras, de levar a peito o que até nem tem a ver comigo. Ou seja, que finalmente cresci.
Mas seja como for, dou as boas-vindas às férias com o mesmo entusiasmo de sempre e recebo de braços abertos os dias a três, os encontros a 20 (ou mais), os almoços ao ar livre, as viagens sem destino traçado, as brincadeiras no parque, os mimos, os planos que não conseguem vencer o apelo do sofá. E que venham elas, as férias... É como diz sabiamente a música: "the dog days are over".
O que pode, vistas bem as coisas, significar que a minha capacidade de abstracção atingiu um novo nível, de tal forma que a maior parte das coisas que irritam me têm mesmo passado ao lado, ou então que, pura simplesmente, me tornei mais tolerante, menos exigente - comigo e com os outros -, mais prática. Que deixei de pensar mil vezes, de tentar encontrar significados escondidos em meias palavras, de levar a peito o que até nem tem a ver comigo. Ou seja, que finalmente cresci.
Mas seja como for, dou as boas-vindas às férias com o mesmo entusiasmo de sempre e recebo de braços abertos os dias a três, os encontros a 20 (ou mais), os almoços ao ar livre, as viagens sem destino traçado, as brincadeiras no parque, os mimos, os planos que não conseguem vencer o apelo do sofá. E que venham elas, as férias... É como diz sabiamente a música: "the dog days are over".
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Entrevistas
Descobri que o meu filho de três anos tem mais jeito do que eu para fazer entrevistas em vídeo. Um sinal de que o melhor mesmo é encostar a câmara - que aliás nunca tive interesse em manejar - a um canto e dedicar-me ao que sei fazer melhor que ele: escrever (isto, claro, porque ele ainda não aprendeu).
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Falta de jeito = agressividade
Mais palavras para quê? Estas bastam...
Dois estudos realizados em 2009 e publicados na revista Psychological Science comprovaram o que muitos já desconfiavam: que a falta de aptidão no trabalho pode justificar a agressividade de muitos chefes. Um dos trabalhos revela que 37% dos trabalhadores norte-americanos já foram humilhados e diminuídos pelo superior hierárquico o que acontece, muitas vezes, quando o dito cujo se sente ameaçado o que, por sua vez, pode estar associado à falta de jeito para a coisa.
Dois estudos realizados em 2009 e publicados na revista Psychological Science comprovaram o que muitos já desconfiavam: que a falta de aptidão no trabalho pode justificar a agressividade de muitos chefes. Um dos trabalhos revela que 37% dos trabalhadores norte-americanos já foram humilhados e diminuídos pelo superior hierárquico o que acontece, muitas vezes, quando o dito cujo se sente ameaçado o que, por sua vez, pode estar associado à falta de jeito para a coisa.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Chefes, quem os quer ter?
O guia secreto para sobreviver ao chefe
1. Você não tem vida própria. Pode ir para casa todas as noites, dormir na sua cama com o namorado ou namorada, falar com os pais ao telefone e pagar os impostos, mas não tenha ilusões: você não existe. Por isso, qualquer comentário mauzinho, odioso, vingativo que surja no seu caminho não o vai magoar porque você não existe no mundo real… existe apenas para agradar ao seu chefe.
2. O chefe tem sempre razão (e você está sempre errado). Não discuta com o chefe, nunca. É um jogo perdido à partida. Se o seu chefe disser que o Moulin Rouge é uma porcaria, é porque é uma porcaria (por muito que isso o possa destruir por dentro). Por isso, se o seu chefe estiver atrasado meia hora para uma reunião porque leu mal as indicações que lhe deu, a culpa não é dele, mas sua.
3. O seu valor pessoal é inversamente proporcional à sua performance no trabalho. Se der por si a mudar a consulta para o urologista, porque a mulher do seu chefe alterou a data do encontro com o conselheiro matrimonial, enquanto compra um palhaço para a festa de anos do filho do patrão, uma grade de cerveja para a festa secreta da filha e apanha o cocó do cão do relvado da casa, então saiba que está a fazer um bom trabalho. Quanto mais humilhado se sentir, melhor funcionário é.
4. A frase «obrigado/a» já não existe. O termo “vai-te fo***”, no entanto, está vivo e bem vivo.
5. Lembra-se da conversa que tiveram sobre uma promoção? Nunca aconteceu. Quanto melhor for no seu trabalho, menor é a probabilidade de vir a ser promovido. Mas é melhor ser bom no trabalho que a alternativa: ser despedido.
6. Passou a ser um rabi, um padre, um psiquiatra, um personal trainer, um jardineiro, o melhor amigo, um prostituto/a, um chulo/a. Oiça sempre, fale pouco. Lembre-se, nenhum chefe duro pode mostrar que gosta dos empregados. No entanto, isso não significa que o seu chefe, de facto, goste de si. Se tiver sorte, não vai sequer pensar em si como uma pessoa, apenas um guro-homem dos sete ofícios que também lhe trata dos impostos e lhe marca o hotel para os encontros com a amante. Se não se esquecer destas regras, vai safar-se. E, quem sabe, um dia pode mesmo conseguir a tão desejada promoção.
P.S. Dicas de um personagem de uma das séries que mais gosto
1. Você não tem vida própria. Pode ir para casa todas as noites, dormir na sua cama com o namorado ou namorada, falar com os pais ao telefone e pagar os impostos, mas não tenha ilusões: você não existe. Por isso, qualquer comentário mauzinho, odioso, vingativo que surja no seu caminho não o vai magoar porque você não existe no mundo real… existe apenas para agradar ao seu chefe.
2. O chefe tem sempre razão (e você está sempre errado). Não discuta com o chefe, nunca. É um jogo perdido à partida. Se o seu chefe disser que o Moulin Rouge é uma porcaria, é porque é uma porcaria (por muito que isso o possa destruir por dentro). Por isso, se o seu chefe estiver atrasado meia hora para uma reunião porque leu mal as indicações que lhe deu, a culpa não é dele, mas sua.
3. O seu valor pessoal é inversamente proporcional à sua performance no trabalho. Se der por si a mudar a consulta para o urologista, porque a mulher do seu chefe alterou a data do encontro com o conselheiro matrimonial, enquanto compra um palhaço para a festa de anos do filho do patrão, uma grade de cerveja para a festa secreta da filha e apanha o cocó do cão do relvado da casa, então saiba que está a fazer um bom trabalho. Quanto mais humilhado se sentir, melhor funcionário é.
4. A frase «obrigado/a» já não existe. O termo “vai-te fo***”, no entanto, está vivo e bem vivo.
5. Lembra-se da conversa que tiveram sobre uma promoção? Nunca aconteceu. Quanto melhor for no seu trabalho, menor é a probabilidade de vir a ser promovido. Mas é melhor ser bom no trabalho que a alternativa: ser despedido.
6. Passou a ser um rabi, um padre, um psiquiatra, um personal trainer, um jardineiro, o melhor amigo, um prostituto/a, um chulo/a. Oiça sempre, fale pouco. Lembre-se, nenhum chefe duro pode mostrar que gosta dos empregados. No entanto, isso não significa que o seu chefe, de facto, goste de si. Se tiver sorte, não vai sequer pensar em si como uma pessoa, apenas um guro-homem dos sete ofícios que também lhe trata dos impostos e lhe marca o hotel para os encontros com a amante. Se não se esquecer destas regras, vai safar-se. E, quem sabe, um dia pode mesmo conseguir a tão desejada promoção.
P.S. Dicas de um personagem de uma das séries que mais gosto
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