segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Em busca do espírito perdido
Se ainda tinha algumas dúvidas, essas dissiparam-se por completo. É oficial: perdi o espírito natalício. Não sei o que se passa comigo este ano. Talvez seja do tempo, invulgarmente quente, que me impede de sentir o frio típico da quadra e o cheiro da lenha queimada; ou talvez seja cansaço. Vou acreditar que é passageiro, qual vírus que se apanha e que, tomados os devidos medicamentos, se consegue vencer. Esta semana vou mergulhar por entre os enfeites das lojas, banhar-me nas cores natalícias, nos cheiros e tentar fazer as primeiras compras. Talvez assim consiga recuperar o espírito. Noutros anos, nesta altura até a árvore já ocupava o seu lugar, reservado para a época, adornada à altura e, à sua volta, muitos presentes assinalavam a chegada desta época tão especial. Este ano, nem sinal da árvore e muito menos das prendas. Não cheira a Natal, não sabe a Natal...
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
40 indicadores de que pertencemos, definitivamente, à raça dos pais
Conheço todos estes 40 indicadores de cor e salteado. Mas foi engraçado vê-lo escritos e comprovar que todos os pais são iguais, que os dramas, ainda que diferentes na forma, partilham o conteúdo, que as técnicas para domar as pestes de palmo e meio, qual arsenal para uma guerra, não precisam de ser ensinadas para todos as conhecerem.
Dos 40 indicadores que provam, sem sombra de dúvidas, que sou mesmo uma mãe (como se dúvidas houvesse), chamo a atenção para o facto de deixarmos de ter nome. A designação mãe passa a dominar e não são só os filhos a usá-la. Os professores, educadores, auxiliares e até os amigos dos filhos (para quem somos a mãe do x ou do y) desconhecem o nome que foi nosso até à entrada nas nossas vidas das pequenas criaturas. Outra coisa que destaco são as nódoas, muitas, de todas as cores, qualidades e cheiros; as mentiras, que de repente passam a ser não só permitidas, como uma exigência do cargo; a probabilidade elevada de ter companhia quando vamos à casa-de-banho ou tomamos um duche; o conhecimento pouco saudável em domínios como o Bakugan.
Dos 40 indicadores que provam, sem sombra de dúvidas, que sou mesmo uma mãe (como se dúvidas houvesse), chamo a atenção para o facto de deixarmos de ter nome. A designação mãe passa a dominar e não são só os filhos a usá-la. Os professores, educadores, auxiliares e até os amigos dos filhos (para quem somos a mãe do x ou do y) desconhecem o nome que foi nosso até à entrada nas nossas vidas das pequenas criaturas. Outra coisa que destaco são as nódoas, muitas, de todas as cores, qualidades e cheiros; as mentiras, que de repente passam a ser não só permitidas, como uma exigência do cargo; a probabilidade elevada de ter companhia quando vamos à casa-de-banho ou tomamos um duche; o conhecimento pouco saudável em domínios como o Bakugan.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Uma mente prodigiosa
Ramón
Campayo é uma das mentes mais fascinantes do mundo. É detentor de todos os
recordes mundiais de memória rápida. Bateu mais de 100 recordes do mundo,
participou em mais de 60 torneiros internacionais e a velocidade do seu cérebro
é a mais alta conhecida, isto para além de ter um QI de 194, que é um dos mais
elevados do mundo. Apesar de decorar sequências impressionantes em apenas segundos,
confessa que muitas vezes não sabe onde deixa as chaves de casa ou os óculos de
sol. Fiquei contente por saber que partilhamos alguma coisa. E fiquei ainda mais contente quando me disse que há esperança para a minha memória de formiga.
Afinal, não sou esquecida. Sou, em vez disso, distraída. E se é uma das mais brilhantes mentes do mundo que o afirma, quem sou eu para contrariar...
terça-feira, 1 de outubro de 2013
"Ejecção seminal"
Não sabia, mas fiquei a saber que as galinhas são dos elementos mais promíscuos do reino animal. Mas embora galdérias, isso não significa que não sejam selectivas na hora de escolher os pais dos seus pintos. E para isso, revela um estudo, praticam um método aparentemente fiável de contracepção. Fiável e bastante estranho. Dizem os cientistas que as galinhas mandam fora o esperma dos galos que não lhes enchem as medidas, a chamada "ejecção seminal".
Todos os pormenores mais sórdidos podem ser encontrados aqui.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Uma super festa
A ideia era boa... em teoria. Fazer uma festa de aniversário com 6 putos de 6 anos nem parece ser assim tão complicado. Arranjam-se uns jogos, umas brincadeiras, uns doces e pronto. Três horas passam a correr, certo?! Mais ou menos. Os enfeites foram criados. O tema era super heróis e apesar do meu fraco desempenho nos trabalhos manuais, lá fiz uns copos;
uns chupas;
umas embalagens para as pipocas;
uma faixa, uma pinhata cheia de doces, uns posters, enfim, tudo a rigor. Inventámos uns jogos, a que demos o nome pomposo de missões para os apirantes a super heróis.
Em teoria, tudo controlado. Na prática... pois que não foi bem assim. Falhou um pormenor. É que os 6 putos de 6 anos têm ideias próprias, vontades próprias, que por acaso não estavam bem em sintonia com as dos adultos.
Para eles, foi pura diversão. Para mim, digamos que dei graças por apenas celebrarmos o aniversário uma vez por ano.
uns chupas;
umas embalagens para as pipocas;
uma faixa, uma pinhata cheia de doces, uns posters, enfim, tudo a rigor. Inventámos uns jogos, a que demos o nome pomposo de missões para os apirantes a super heróis.
Em teoria, tudo controlado. Na prática... pois que não foi bem assim. Falhou um pormenor. É que os 6 putos de 6 anos têm ideias próprias, vontades próprias, que por acaso não estavam bem em sintonia com as dos adultos.
Para eles, foi pura diversão. Para mim, digamos que dei graças por apenas celebrarmos o aniversário uma vez por ano.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Chamamentos nocturnos
"Mãe!!!! Ó mãe!", chamou ele.
Olhei para o relógio, batiam as quatro da matina.
"Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee! Mãe!"
Vou ignorar, pensei eu, enquanto ele me chamava desalmadamente.
"Então? Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee"
Levantei-me sempre com os olhos fechados. A tarefa dificultada pelo pontapé dado em não sei bem o quê.
"O que foi?", perguntei-lhe.
....
"O que querias?", voltei a perguntar.
"Jã não me lembro. Até amanhã". E virou-se para o outro lado.
É nestas alturas que eu constato a dimensão do amor de mãe. Amor que esteve seriamente ameaçado pela minha vontade de lhe sacudir o pó.
Olhei para o relógio, batiam as quatro da matina.
"Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee! Mãe!"
Vou ignorar, pensei eu, enquanto ele me chamava desalmadamente.
"Então? Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee"
Levantei-me sempre com os olhos fechados. A tarefa dificultada pelo pontapé dado em não sei bem o quê.
"O que foi?", perguntei-lhe.
....
"O que querias?", voltei a perguntar.
"Jã não me lembro. Até amanhã". E virou-se para o outro lado.
É nestas alturas que eu constato a dimensão do amor de mãe. Amor que esteve seriamente ameaçado pela minha vontade de lhe sacudir o pó.
sábado, 14 de setembro de 2013
Borboletas no estômago
Sempre adorei os momentos que antecediam o regresso às aulas. As compras de novos cadernos, a escolha da mochila, os lápis, o cheiro a novo dos livros. Este ano esse cheiro voltou a encher-me a casa. E apesar de os livros não serem meus, ainda que não seja eu a embarcar nesta nova aventura, as borboletas regressaram ao meu estômago. Os seis anos fazem destas coisas. Seis anos! E parece que foi ontem que o estava a receber nos braços...
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